Make your own free website on Tripod.com

LIGA DE ESPECIALIDADE, UM LABORATÓRIO DA ÉTICA MÉDICA

 

Max Grinberg

 

            A participação em Ligas de especialidade ajuda o estudante de Medicina construir sua curva de aprendizado  sobre a relação médico-paciente.

            Um dos treinamentos essenciais é conduzir-se dentro dos preceitos da Ética Médica. Assim como o esporte tem regras e árbitros as fazem cumprir, um atendimento na Liga tem o que pode ou deve e o que não pode ou deve ser feito, bem como o professor-árbitro. Não há exatamente cartão amarelo ou cartão vermelho, mas ninguém pretende passar pelo sorriso amarelo da decepção ou  ficar  vermelho de vergonha.

            É desejável que o estudante de Medicina exerça suas atividades na Liga consciente que daqui a poucos anos se obrigará a respeitar o Código de Ética Médica. É um livrinho de poucas páginas, 14 capítulos e 145 artigos. Ele contém  os princípios fundamentais da Medicina, apresenta os direitos do médico e  relaciona os seus deveres perante a sociedade que o habilita através de um número do CRM.

             É vedado ao médico é uma expressão que encabeça 117 artigos;  vários  destes devem ser conscientizados- e praticados- pelo jovem ainda estudante de Medicina ao longo da sua atividade no laboratório de exercício profissional chamado  Liga.

            O artigo 46 do referido Código de Ética Médica reza que é vedado ao médico  efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou do seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida. Já o artigo  56 diz que é vedado ao médico  desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente perigo de vida.

            Estes dois artigos são emblemáticos para provocar reflexões pedagógicas sobre atitudes do médico perante o seu paciente- aliás escrevemos um pleonasmo, pois não existe ato médico sem que haja paciente, mas vale pela força de expressão.

            A primeira pergunta que o estudante de Medicina então deve se fazer é : Já sei reconhecer o iminente perigo de vida ? 

            A segunda pergunta é: Como vou ter certeza que há, de fato, um consentimento livre e esclarecido para as situações eletivas?

            As respostas vão se aclarando com o tempo a partir de uma luz de fundo  alimentada pelo bom senso, cada atendimento acrescenta alguns watts.  Não há limites, mas há uma mágica,  quanto mais watts  agregamos, menos consumimos energia, pois tudo vai se tornando luz natural.

            Nosso uniforme é branco porque reunimos todos os tipos de luz na exata proporção de evitar que uma delas predomine; honrar  este símbolo de harmonia (médico-paciente)  inclui a concepção de respeito ao Código de Ética desde os tempos de estudante e sob a tutela de mestres que valorizam os bons principíos morais.           

            Se liga pessoal!